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Thaís Nascimento lança disco sobre mulheres compositoras para violão neste sábado

Postado em Lives de Violão em 09/01/2021

Thaís Nascimento lança disco sobre mulheres compositoras para violão neste sábado - foto Thaís Nascimento

(Thaís Nascimento)

Por Alessandro Soares

Essa guria tá indo longe. Gaúcha de 26 anos, Thaís Nascimento acaba de lançar o disco Expressivas: mulheres compositoras para violão. Além da riqueza interpretativa, do prazer de ouvir da primeira à 11ª faixa e do conceito bem amarrado do projeto, o CD faz um inquietante recorte de gênero. De Chiquinha Gonzaga a Elodie Bouny. De Lina Pires de Brandão e Andrea Perrone, passando por Barbara Kolby, Cíntia Ferrero e Lúcia Teixeira. Esse panorama de estilos do violão feminino será apresentado por Thaís neste sábado (09/01), às 19h, em recital transmitido ao vivo no Facebook da violonista.

Na live vai rolar sorteio de CDs. Entre uma peça e outra, Thaís vai interagir com a plateia, pois é daquelas artistas que faz de uma simples transmissão aquele clima como se todo mundo estivesse dentro da casa dela. Cada música tem uma história particular e um motivo pra ter sido escolhida. O disco é dedicado à violonista Mayara Amaral (1989-2017), virtuose e pesquisadora, que se tornou símbolo no debate de gênero sobre o violão no Brasil e da luta contra o feminicídio.

Thaís Nascimento lança disco sobre mulheres compositoras para violão neste sábado - capa CD Expressivas Thaís Nascimento

Produzido de forma independente via financiamento coletivo, o disco Expressivas: mulheres compositoras para violão está disponível nas plataformas digitais. Mas a bolachinha também pode ser adquirida diretamente com Thaís. O valor é R$ 40 (incluso o frete). Parte do valor arrecadado será destinado à Casa de referência Mulheres Mirabal, em Porto Alegre. Basta depositar no Banco do Brasil (Agência 1899-6, Cc: 53271-1, em nome de Thaís Nascimento Oliveira (CPF 85824658072). Ou pelo Pix: 85824658072

Em depoimento ao Acervo sobre a ideia do CD, Thaís destaca que o projeto surgiu a partir da pesquisa A mulher compositora e o violão da década de 1970, de Mayara Amaral. “Com ela é que passei a ter esse para a produção musical das mulheres. Até então eu só tocava repertório de homens compositores”, diz. Tanto que Lina Pires de Brandão (1918-2003) é analisada pela dissertação de Mayara, e de quem Thaís gravou Ponteio e Toccatina.

Thaís Nascimento lança disco sobre mulheres compositoras para violão neste sábado - foto Mayara Amaral

(MAYARA AMARAL - BAIXE PESQUISA CLICANDO NA FOTO ACIMA)

Elodie Bouny foi a primeira mulher violonista que Thaís viu tocando as próprias composições num recital. “Foi em Porto Alegre há uns cinco anos. Foi algo inédito pra mim. Ela foi também a primeira compositora que comecei a tocar. E para o disco escolheu os dois movimentos das Cenas Brasileiras. “É uma obra que ilustra o nosso país e a música latino-americana, que tá muito da estética da Elodie. Esse violão com muitas campanelas, harmônicos, sentimental e ao mesmo tempo muito rítmico, como mostra o segundo movimento”, descreve.

A obra da americana Bárbara Colby foi apresentada a Thaís pelo professor e violonista Daniel Wolff, seu orientador no bacharelado na UFRGS. “Eu queria que o disco tivesse uma obra contemporânea de estética atonal. Então a peça Three Lullabies da Barbara é formada de três movimentos sobre histórias de ninar”.

Colega de Thaís na cena violonística de Porto Alegre, Andrea Perrone também está no Expressivas com a Suíte Materana Parte 1: Ciao Matera. “Andrea tem a estética de um violão autodidata, com composição de afinação aberta (em DADGAD). É a única que tem essa afinação no disco. É uma obra bem rítmica”.

Sua outra colega, Lúcia Teixeira, que integra junto com Thaís um grupo de estudo chamado Educação Musical e Cotidiano, entrou no disco com a obra O Encontro das Águas. “Ela também está no livro Música Gaúcha para Violão, de Daniel Wolff. Enquanto a Cintia Ferreira, da qual gravei Ao Extremo (Citações Nordestinas), foi indicada pelo meu colega Alexandre Simon, do Latino-América Duo. Esse percurso ilustra como passei a conhecer muitas compositoras pesquisando sobre o tema e conversando com colegas e meu professor”.

E para fechar o disco, Thaís escolheu Chiquinha Gonzaga (1857-1935), num arranjo que ela fez mesclando Gaúcho e Ó Abre Alas. “Eu já tocava Chiquinha em regional de choro. Mas no CD quis toca-la à minha maneira, desenvolver um pouco de arranjo, de improvisação, de rítmica. Eu queria que o disco tivesse diversidade musical, de ritmos, de estéticas, de pegadas, tendências composicionais, também variedade na escolha não só de brasileiras, mas do continente americano”. 

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