Fabio-Zanon

Fábio Zanon

Nascimento

6 de Março de 1966

Naturalidade

Jundiaí (SP)

Um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos e dos mais influentes da atualidade

Por GILSON ANTUNES

Um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos e dos mais influentes da atualidade. Fábio Zanon representa para os violonistas clássicos brasileiros do início do século XXI o que Américo Jacomino representou para sua geração, no início do século XX. Após estudos iniciais com o pai, Francisco, em sua cidade natal, Zanon passou a ter aulas com Antonio Guedes, discípulo de vários violonistas, entre eles Abel Carlevaro. Já aos 16 anos, participou de um festival de violão na Argentina e começou a dar recitais ocasionais em vários locais em Jundiaí, orientado por seu professor. Ao mesmo tempo, fazia parte da Academia Jundiaiense de Letras, onde já aprimorava sua escrita e sua imaginação literária, algo que lhe serviria bastante no futuro.

Em meados da década de 1980, passou a ter aulas em São Paulo com Henrique Pinto, que foi um dos principais professores de violão do Brasil. Henrique moldou a sonoridade de Zanon, modificou seu repertório e passou a treiná-lo para concursos violonísticos que estavam se difundindo cada vez mais no Brasil e no resto do mundo. Nessa época, começou a vencer suas primeiras competições, o que o fez solar com orquestras e tocar em outros estados brasileiros. No mesmo período, entrou no curso de música da Universidade de São Paulo (USP), onde ainda não havia professor de violão.

Com a entrada de Edelton Gloeden naquela universidade, Zanon teve o último de seus professores de violão no Brasil, culminando, em 1987, com sua terceira colocação no Concurso Internacional de Violão de Toronto, no Canadá – onde na edição anterior o violonista carioca Marcelo Kayath tinha se sagrado vencedor –, e a quarta colocação no Prêmio Eldorado de Música. No ano seguinte, Zanon venceu seu primeiro concurso internacional, em Alessandria, Itália.

Em seguida, foi se preparando para os estudos de pós-graduação na Royal Academy of Music, na Inglaterra, para onde iria no final de 1990. Nessa instituição, Zanon deu uma breve pausa nos concursos para reformular sua técnica e sua concepção violonística, sob a supervisão de Michael Lewin, além de participar de masterclasses com Julian Bream, John Williams, Leo Brouwer e outros grandes violonistas.

Já em 1994 voltaria às competições, sendo que em 1996, aos 30 anos de idade, finalmente se sagrou vencedor dos dois principais concursos daquela época, o 30º Concurso Tarrega, na Espanha, e o 14º GFA (Guitar Foundation of America) Guitar Competition, nos Estados Unidos. Em menos de um ano, Zanon gravaria seus três primeiros CDs: Sonatas Latino Americanas para Violão (EGTA), Guitar Recital (Naxos) e Villa-Lobos Complete Works for Guitar (Music Masters).

Com os prêmios e os CDs, seu nome foi ficando cada vez mais conhecido tanto fora quanto dentro do Brasil, onde lhe foi concedido o Prêmio Moinho Santista, em 1997. Isso e outros motivos familiares o fizeram retornar definitivamente ao país logo em seguida, no início dos anos 2000, após um período de dez anos radicado na Inglaterra.

Ao estabelecer-se outra vez no Brasil, Zanon retomou a carreira como concertista consagrado, com um público crescente e fiel, além de absorver outras atividades relacionadas à música – entre elas, a de produtor e apresentador de programas na Rádio Cultura de São Paulo. Um desses programas se tornou célebre: a série Violão com Fábio Zanon, a respeito da música clássica brasileira para esse instrumento, é tido como um dos ápices de sua carreira.

Nesse programa, Zanon aproveitou sua verve literária e sua inclinação musicológica para realizar uma das melhores séries de violão já produzidas em todo o mundo, com mais de uma centena de programas em que praticamente não havia gravações disponíveis. Isso o fez organizar seus episódios convidando jovens violonistas para fazerem as primeiras gravações de obras para violão de autores como Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Esther Scliar, Souza Lima, Paulo Porto Alegre, Giácomo Bartoloni e vários outros, além de divulgar compositores esquecidos como Levino Albano da Conceição, Henrique Britto e José Augusto de Freitas. Esses programas ganharam notoriedade definitiva após serem disponibilizados na internet: Violão com Fábio Zanon é um dos blogs sobre violão mais visitados em todo o mundo.

Em 2006, gravaria seu melhor CD até o momento, Domenico Scarlatti Sonatas, editado pelo selo Musical Heritage. Em 2008, Zanon foi contratado como professor visitante da Royal Academy of Music, onde havia estudado. Foi professor também da Fundação Magda Tagliaferro e orientou vários alunos da nova geração no Brasil, além de outros por meio de masterclasses em suas várias apresentações no exterior.

Fábio Zanon já tocou em dezenas de países, em quatro continentes diferentes, apresentando-se em salas importantes como Royal Festival Hall e Wigmore Hall (Londres, Inglaterra), Carneggie Hall (Nova York) e Concertgebow (Amsterdam). Como camerista, destaca-se seu duo de longa data (mais de duas décadas) com o flautista Marcelo Barbosa, com o qual já gravou CDs e se apresentou em vários países. Após ser professor do principal festival de música do Brasil, o Festival de Inverno de Campos do Jordão, Zanon foi indicado como diretor artístico desse evento em 2013. Nesse mesmo ano, lançou pela Revista Concerto um CD com obras dos compositores espanhóis Albeniz, Granados e Malats.

Pela maestria técnica e interpretativa, pelo amplo conhecimento artístico, pela generosidade com os alunos e pelo próprio desenvolvimento bem sucedido de sua carreira (em que se destacam gravações, recitais e programas de rádio), Fábio Zanon representa uma referência para as novas gerações de violonistas no Brasil e um artista a se seguir em termos de música clássica mundial.

 

Discografia

Latin American Sonatas: Guastavino, Miranda, Ardévol, Ginastera, Fernandez, Fariñas (EGTA, 1997)

Heitor Villa-Lobos: The Complete Solo Guitar Works (Music Masters, 1997)

Guitar Recital: Tarrega, Bach, Faria, Mertz, Ponce (Naxos, 1998; reeditado na Itália: Seicorde, 2004.)

Les Enfants du Siècle Soundtrack by Luís Bacalov (Decca, 2000)

Tangos and Choros (with Marcelo Barboza, flute): Piazzolla, Gnatalli, Villa-Lobos, Pujol (Côrtes Meridian, 2002)

Jan van der Roost Trumpet and Guitar Concertos (Phaedra Records, 2004)

Domenico Scarlatti Sonatas (Musical Heritage, 2006)

Yanomami – Music for Choir and Guitar: Carlos Fernandez Aransay & Fabio Zanon – Coro Cervantes (Singnum Classics, 2009

Francis Hime e Nelson Ayres - OSESP: Nelson Ayres, Francis Hime, Fábio Zanon, John Neshling (Biscoito Fino, 2010)

Albeniz, Granados, Malats (Revista Concerto, 2013)

 

Programas de rádio

Violão com Fábio Zanon: http://vcfz.blogspot.com/

A Arte do Violão: http://aadv.co.nf/